Não faz muito tempo, viajar de avião era assim!

19/03/2018

Olhar pelo retrovisor e enxergar o passado é sempre muito interessante. Você pode aprender, ver como as coisas evoluíram e até, e por que não, ver como você está velho...rsss.

O ato de viajar de avião, por exemplo, já foi bem mais romântico do que nos dias atuais, e olha que não me refiro ao passado em preto e branco, mas ao passado nem tão passado assim...rs. A evolução nesta área foi espantosa, assim como em diversas outras atividades que impactam em nossas vidas.

Resolvi então assumir minha idade um pouco avançada e brincar com os dias passados, quando viajar de avião era assim...

Observação: se você se identificar com que cito a seguir, sorte sua, você também viveu os anos dourados da aviação. Se você, por outro lado, não tiver a mínima noção do que estou falando, sorte sua também, você ainda é bem jovem e pode aproveitar uma forma digamos assim mais moderna de voar - o que não é ruim, me entendam.

Não faz muito tempo...

...você ia à agência da empresa aérea ou ao escritório da agência de viagens para comprar sua passagem aérea e saía todo feliz com ela em suas mãos. Era tangível. Você guardava na bolsa e cuidava dela com todo o cuidado.

O bilhete de passagem era preenchido a mão e vinha em uma espécie de envelope, com a logomarca da Cia. Aérea impressa na capa e todas as informações no seu interior. Para cada trecho voado, uma página era destacada no check-in.

Capa de bilhetes da VARIG e da CRUZEIRO

Exemplo de preenchimento manual de um bilhete aéreo.  
Em 1994 trabalhei na Loja de Passagens da VARIG, na Rua da Consolação,
e embora já tivéssemos nesta época a emissão computadorizada, cheguei em diversas situações a emitir muito bilhete assim, na mão.

E o cartão de embarque?

Em papel de grande gramatura, resistente. Trazia as informações do numero do voo e portão de embarque preenchidos a mão, ou carimbados...e o numero do seu assento era colado em adesivo - e tinha, claro, a opção pelas áreas "fumante" e "não fumante".

Lembro bem que na hora de escolher o assento, no check-in, a atendente me mostrava o mapa de assentos com os adesivos (assentos) ainda disponíveis. Eu escolhia, ela retirava da cartela e colava no boarding pass.

O máximo da tecnologia, não é? Mas vou te dizer, funcionava melhor que os avançados sistemas online de hoje, pois não tinha como reservar o mesmo assento para dois passageiros...já hoje....hmmm....quem nunca passou por isso, de chegar ao seu assento no avião e já ter alguém lá, sentadinho no seu lugar...

Exemplos de antigos cartões de embarque

Olha o adesivo com a marcação do assento aí em baixo (assento 3A)

Por falar no embarque, que na grande maioria dos aeroportos ainda era feito a pé (os "fingers", essas pontes de embarque que conectam diretamente a sala de embarque à porta do avião, ainda eram um benefício raro). Você caminhava pela pista, sentia o cheiro do querosene e embarcava por aquelas escadas cambaleantes.


Embarcar pela pista era bem mais emocionante...

Ao entrar no avião, meu Deus, quanta mudança! Suas pernas cabiam entre os assentos e se o viajante da frente reclinava o dele, você não ficava espremido feito uma sardinha em lata. Eu, por exemplo, trocaria toda a tecnologia atual, com wi-fi, vídeo individual e etc, por mais espaço para as pernas.

Dá para comparar o espaço entre os assentos da Classe Econômica do Electra (foto abaixo) , que fazia a ponte-aérea,  com os assentos atuais?

O entretenimento aliás, quando havia, era revista de bordo, jornal e aqueles filmes longa metragem exibidos em uma grande tela, de péssima resolução, na parede frontal da cabine. E você ligava? Não, achava o máximo, garanto. Até porque você era tratado como um cliente especial, e não como um mero "mais um" ... ganhava uma refeição completa, de boa qualidade. Bebia whisky, vinho, cerveja...tudo de graça, ou melhor, incluído na tarifa.


Bandeja da VARIG para voos curtos de São Paulo a Brasília,
Curitiba e Belo Horizonte...não dá nem para comparar com o "serviço"
que as empresas prestam hoje, concorda?

Sim, essas eram opções de pratos servidas pela VARIG em seus voos domésticos. As demais empresas, como Vasp, Rio-Sul e Transbrasil,
seguiam mais ou menos o mesmo padrão.

Lanche para voos curtos. Bons tempos...

Tinha mala para despachar? Era incluído na tarifa também, claro!

Os aviões eram mais barulhentos. Máquinas como o DC-10, Tristar, Boeing 727 e 737-200 eram a última palavra em tecnologia e modernidade ... os voos muitas vezes faziam diversas escalas. Era comum, por exemplo, viajar para a Europa fazendo paradas em Recife e Dakar...

Se você era de São Paulo e ia ao exterior, quase que sempre seu voo fazia uma escala no Rio de Janeiro antes de seguir viagem. O Rio era o principal portão de entrada e saída do Brasil, lembra? São Paulo, com toda sua grandeza e pujança, sequer tinha aeroporto internacional...ou era Congonhas, via Rio de Janeiro, ou Viracopos, em Campinas (na maioria das vezes, via Rio também).

Vamos lá, confessa ... você pegou aquela época em que era preciso telefonar para a empresa aérea para reconfirmar sua passagem? Se sim, sinto informá-lo, você está velho!

Mesmo as vestimentas, naquela época, eram muito diferentes e mais formais. Os viajantes costumavam se vestir bem nas viagens aéreas - era comum usarem suas melhores roupas. Avião de bermuda e Havaianas? Nem pensar...hehehe.

Enfim, poderia ficar aqui muito tempo relembrando costumes dos viajantes no passado e certamente cada um tem suas próprias histórias e "manias" para contar. Aliás, colabore com o blog, deixe sua sugestão, conte suas experiências. Viagens e aviões são sempre um assunto que desperta muitas paixões, sinta-se a vontade para participar!