Lindo e triste Brasil

25/07/2018

Brilhantemente interpretada na voz suave de Toquinho, a música "Lindo e triste Brasil" reflete bem a situação deste país repleto de encantos naturais, naturalmente pronto para se tornar uma potência, mas que não consegue ser feliz de verdade!

É lamentável que um país como esse não saiba explorar esses seus potenciais e dar um passo definitivo para, enfim, se tornar o que hoje parece impossível (e não deveria) - o país do futuro! É como diz parte da letra desta mesma música, "Tão gigante, tão franzino, Seu destino ao deus-dará."

Corrupção, impunidade, desigualdade, violência...precariedade na educação, na saúde, na infra-estrutura...e um povo desiludido, acomodado, que assiste a tudo isso como que parecendo não se importar. A vida passa tirando sarro da sua cara e nada acontece para mudar esse cenário.

Esse ano tem eleição...e olhando o nível dos candidatos (e de toda essa nojenta classe política), sabemos desde já que não há futuro na linha do horizonte. Pena, pena!

E por que falo sobre isso neste espaço que é dedicado ao turismo?

Porque, claro, um dos grandes potenciais que este país carrega e que, para variar, não sabe explorar, é justamente nesta área.

O Brasil é lindo, o brasileiro é acolhedor, há uma incrível diversidade cultural, miscelânea de povos e costumes....uma culinária riquíssima, de encher a boca de qualquer um...sol, calor...um território imenso, do tamanho de um continente, livre de perigos naturais como terremotos, furacões e vulcões...um território de contrastes, que pode oferecer ao mesmo tempo o frio das serras, com aquele clima europeu, e o calor dos trópicos...a maior floresta do mundo, o maior rio do mundo, uma linha costeira interminável....ou seja, o Brasil carrega consigo um enorme, imenso, gigantesco apelo que, bem trabalhado, poderia transformá-lo em um dos destinos turísticos mais visitados do mundo.

Mas não é!

Aliás, longe disso!

Não trago números exatos, estatísticas, gráficos comparativos. Não são necessários. O Brasil deveria estar lá, no topo, disputando com outras potências turísticas como a Espanha, França, Estados Unidos, Itália, Turquia, Tailândia, México, China, Alemanha, Reino Unido...mas todos sabemos, ele está muito, MUITO distante deles. Mal e mal consegue se destacar no próprio continente sul-americano, que dirá no mundo todo.

Ok, quer números mesmo assim?

A França, líder em 2017, recebeu mais de 88 milhões de visitantes ano passado. A Espanha, segunda colocada, estima que seus visitantes gastaram cerca de 87 bilhões de Euros no mesmo ano, mostrando que o setor do turismo pode (e deve) ser considerado cada vez mais como um dos fatores mais relevantes na economia de um país (neste mesmo exemplo da Espanha, estes gastos dos turistas representaram mais de 5% do PIB do país!).

Mas e o Brasil? Há anos, muitos anos, o país patina na casa dos 5, 6 milhões de visitantes anuais. E olha que tivemos Copa do Mundo e também os Jogos Olímpicos, eventos mundiais que costumam alavancar o turismo local...e nem assim decolamos.

Mesmo o turismo doméstico é também um fracasso frente ao seu potencial. E não somente pela falta de infra-estrutura turística do país, como também pelos preços altos (muitas vezes abusivos) cobrados por aqui. Tanto que muitas vezes sai mais em conta viajar ao exterior do que ir ao Nordeste, por exemplo. E por isso vemos cada vez mais brasileiros optando por sair para conhecer o mundo sem antes nem mesmo conhecer seu próprio país.

E olha que o brasileiro viaja viu!

Em muitos destinos, como nos EUA por exemplo, os brasileiros estão sempre entre os maiores visitantes. Imagina se parte deles passasse a optar por viajar aqui dentro, o que isso já não representaria em novas receitas? E receitas trazem investimentos, e a roda começa a girar com vigor cada vez maior.

O turismo nacional precisa se reinventar. O país precisa de um plano sério, concreto, e não apenas vindo lá de cima, das esferas governamentais. Temos de saber nos vender melhor, temos de saber nos preparar melhor, temos de saber investir melhor.

Enquanto o Brasil seguir enxergando o turismo como algo supérfluo, secundário, seguiremos sendo um destino igualmente supérfluo e secundário, infelizmente. Exemplos de sucesso estão aí, aos montes, na nossa cara! Inclusive de países de terceiro mundo como o nosso, cheios de problemas sociais para resolver, e que utilizam o próprio turismo, de forma sábia, como uma ferramenta para solucioná-los.