Empresas aéreas que fazem sucesso com sistema de conectividade global

16/02/2018

Você já pensou em incluir Adis Abeba em seu roteiro de férias? Adis o que? Hã?

Pois é, Adis Abeba fica na Etiópia....e tem voo direto para lá, partindo de São Paulo. E mais: a partir de junho, os voos serão diários!

Então deve ter muita gente que escolhe a Etiópia para passar férias, certo? Errado!

Não que esse país africano não tenha atrativos interessantes, acredite, tem muitos, mas a demanda de passageiros do Brasil para este mercado ainda é relativamente pequena e não justifica voos diários (realizados pela Ethiopian Airlines, eleita pela Skytrax, o "Oscar" da aviação, a Melhor Cia. Aérea da África em 2017).

Frota ultra-moderna, serviços de qualidade, posição geográfica estratégica
e malha aérea desenhada para conectar o mundo são alguns dos motivos
do sucesso de empresas como a Ethiopian Airlines.

Tripulação com trajes típicos e a moderna cabine
da Classe Executiva da Ethiopian Airlines.

Mas então por que a empresa decidiu investir e aumentar as freqüências no Brasil?

Porque ela é uma das poucas companhias aéreas que aposta fortemente no conceito de hub global, poderosos centros de distribuição de voos, e seu produto não é vender Adis Abeba (embora, claro, o faça), mas sim...o mundo todo...ou quase!

O forte da Ethiopian Airlines no mercado brasileiro é vender destinos na Ásia e Oriente Médio, aproveitando o fato do seu QG, em Adis Abeba, estar estrategicamente localizado no meio do caminho.

Então se um passageiro quer viajar por exemplo de São Paulo a Bangkok, na Tailândia, é mais fácil, rápido (e muitas vezes mais barato) ele voar para lá fazendo a conexão na Etiópia, do que eventualmente optar por fazer o trajeto via conexão na Europa. O mesmo se aplica para diversos outros destinos servidos pela Ethiopian Airlines, como Tel Aviv, Beirute, Dubai, Bombaim, Delhi, Shanghai, Beijing, Hong Kong, Seul e Tóquio. A rota via Adis Abeba é mais curta, rápida e atrativa.

O mapa de rotas da Ethiopian Airlines deixa claro seu papel de distribuição global através de seu hub, em Adis Abeba.

E este conceito de "conectividade" ela aplica de e para diversos mercados, fazendo com que cada vez mais gente do mundo todo utilize seu eficiente centro de distribuição global de voos!

Ou você imaginaria que há mercado que justifique por exemplo voos diários com avião para mais de 300 passageiros entre Adis Abeba a Guanghzou, na China? Não, claro que não! Mas se você somar os passageiros que a empresa traz de outras localidades, cujo destino final seja Guanghzou, aí justifica - tanto é que este é sim um voo real, com alta demanda.

E como funciona esse conceito de hub?

Vamos continuar usando o exemplo da Ethiopian Airlines. Seu voo de São Paulo chega em Adis Abeba por volta das 20h00, e muitos outros voos da empresa, vindos de diversas outras localidades, também chegam a Adis Abeba em horário próximo. Lá, os passageiros são distribuídos para os diversos voos de conexão, os quais partem no final da noite. O voo para Bangkok, por exemplo, parte em horário próximo à meia-noite, ou seja, com curto tempo de conexão para quem embarcou no Brasil (e isso é ótimo). O passageiro chegou na Etiópia às 22h00, e antes da meia-noite já está a caminho de Bangkok!

Bingo! Os voos que alimentam as conexões chegam todos em uma mesma faixa de horário, e as conexões partem todas logo depois, na faixa de horário seguinte. Isso gera uma demanda incrível e garante o sucesso destas empresas aéreas que atuam no conceito.

O maior exemplo de sucesso de uma companhia aérea que usa este sistema?

A Emirates! Essa gigante mundial une alta qualidade de serviços, frota ultra-moderna e um staff multirracial a um eficiente centro de distribuição de voos em Dubai (outro local estrategicamente localizado no globo).

A Emirates é a empresa aérea a adotar esse sistema de conectividade
com maior sucesso no mundo!

A empresa colocou seu QG, em Dubai, no centro do mundo,
conectando o emirado à destinos em todos os continentes. 
Veja seu mapa de rotas, abaixo.

O resultado é tão positivo que a Emirates cresce vertiginosamente ano após ano, sendo hoje Dubai o aeroporto mais movimentado do mundo em se tratando de voos internacionais. Para ter uma idéia da grandiosidade do negócio, a Emirates é a maior operadora mundial do gigante Airbus A380 (já são mais de 100 unidades em operação em sua frota, além de outras dezenas encomendadas) e do menor, mas ainda assim igualmente gigante, Boeing 777.

A Emirates é, disparado, a maior operadora mundial do A380 - o maior avião comercial em operação. Já são mais de 100 em sua frota!

As comissárias da Emirates, com seu traje famoso, representam muito bem
esse conceito global da empresa. A tripulação da empresa é composta por pessoas do mundo todo, das mais diferentes nações. 

A Emirates só voa com aeronaves de grande porte, em todas as suas rotas. Ela coloca por exemplo cerca de 7 voos diários na rota Dubai-Londres/Heathrow, todos com A380 para mais de 450 passageiros! E isso é só um exemplo. No Brasil, ela opera diariamente de São Paulo para Dubai, também com o A380, e em breve acrescentará mais 5 voos semanais nesta rota, com Boeing 777 (o mesmo equipamento que ela usa em seus voos, também diários, do Rio de Janeiro para Dubai).

Mas se a Emirates é usada sobretudo para conexões (embora haja muita gente viajando hoje em dia para Dubai), porque ela leva vantagem sobre suas concorrentes?

Se um passageiro quer voar por exemplo de Paris a Tóquio, porque ele escolheria a Emirates (com conexão em Dubai), ao invés de voar direto com a Air France ou Japan Air Lines?

Na rota Paris-Tóquio talvez ela realmente não leve vantagem, pois há farta opção de voos diretos (embora ela possa oferecer preços menores e com isso interessar muita gente a se "sacrificar" fazendo uma conexão em Dubai), mas ela ganha, e de lavada, levando passageiros de Paris a destinos sem opção de voos diretos, e para onde ela, Emirates, voa. Quer ir de Paris a Sydney? Tem voo direto? Não! Mas tem voo da Emirates, via Dubai. Quer ir de Paris a Manila, nas Filipinas? Tem voo direto? Não. Mas tem com a Emirates, via Dubai. E assim por diante!

Quer mais? Veneza! Itália! Canais, gôndolas, mar e mar de turistas....mas não tem muitos voos intercontinentais, diretos. Quem vai por exemplo de Johanesburgo (na África do Sul) a Veneza precisa, necessariamente, fazer uma conexão....quem vai de Veneza, outro exemplo, para Hong Kong, tem também de fazer ao menos uma conexão. Então o que fez a Emirates? Colocou um enorme Boeing 777-300 lá, para voar diariamente a Dubai.

A rota pura e simples Veneza-Dubai não tem uma demanda de passageiros que justifique essa operação, mas o hub da empresa em Dubai serve para alimentar passageiros do mundo todo para Veneza, e de Veneza e regiões próximas para o mundo! O passageiro lá de Johanesburgo, do parágrafo acima, pode pegar a Emirates para voar a Veneza, via Dubai....e o passageiro de Veneza indo para Hong Kong vai pela Emirates, via Dubai.

A eficiência de um bom sistema de conexões é fator predominante
para o sucesso dessas empresas globais.

São inúmeros os exemplos que poderia dar para provar a eficiência desse sistema de conectividade. Mas não é necessário, o próprio sucesso dessas empresas diz por si só! Além da Emirates e da Ethiopian Airlines, já citadas, vale destacar outras 3 empresas aéreas que atuam fortemente e com grande sucesso com esse conceito, a Qatar Airways, a Etihad e a Turkish Airlines.

A Turkish Airlines é outro caso de sucesso.
Ela utiliza seu hub em Istambul para distribuir passageiros pelo mundo todo.
E para quem pensa que conexão é chato, olha só o que a premiada sala vip da empresa, para passageiros de Classe Executiva, oferece:
massagem, sala de banho, quartos privativos e até mesa de sinuca!

Não por menos 3 das 5 empresas citadas são do Oriente Médio, pois tanto Dubai (Emirates), como Catar (Qatar Airways) e Abu Dhabi (Etihad) estão estrategicamente no meio do caminho entre a Ocidente e o Oriente (e também muito bem localizados para quem viaja do Brasil para a Ásia, Oceania e Oriente Médio). O mesmo ocorre com a Turkish Airlines, cujo hub em Istambul também fica bem localizado para este tipo de operação (não por menos, ela é a empresa aérea que voa para mais países no mundo).

Não basta ter um eficiente centro de distribuição de voos. Essas empresas que se destacam têm, também, um produto de ótima qualidade. A Qatar Airways,
por exemplo, tem seguidamente sido eleita a Melhor Cia. Aérea do Mundo!

Há, obviamente, uma série de outras Cias. Aéreas que usam sistema de hub, umas em maior outras em menor escala. A British Airways, por exemplo, tem hub em Londres....a Air France, em Paris, e assim por diante. Algumas tem até mais do que um hub, como a LATAM (hub em Santiago e São Paulo), American Airlines (Dallas, Nova York e Miami), Lufthansa (Frankfurt e Munique) e etc e etc....nem todos, porém, são muito globais como aquelas citadas no texto.