BOB – Buy On Board. A nova (e chata) mania das empresas aéreas

23/02/2018

Ah esse saudosismo ainda vai me fazer mal...rssss. Mas sou assim, fazer o que? E como todo bom escorpiano (aprendi agora no Google..rss...sempre achei que fosse "escorpiniano"), sou também teimoso e "reclamão" (e chato...rs). Acho que nunca vou mudar!

Mas então...e esse nova tendência de "Buy On Board hein? Ô coisa chata!!!

Olha a comidinha aí gente...peguem sua cartão de crédito! 

O que antes era um produto restrito a algumas empresas low coast, agora está virando moda entre muitas empresas, digamos assim, full service

Aqui no Brasil, é usado pela GOL (ok, esta sempre se caracterizou por um serviço simples, que a deixou marcada como a empresa da barrinha de cereal) e mais recentemente pela LATAM (que surgiu da fusão de duas marcas que até bem pouco tempo atrás tinham boa reputação em serviços de bordo, a LAN e a TAM).

Mas hoje em dia, se você pega um voo doméstico, é comum ver os comissários passarem pelo corredor, sem o menor charme e elegância, anunciando repetidamente, e em alto e bom tom, "Mercado LATAM", "Mercado LATAM", "Mercado LATAM"....só falta mesmo completar com um "é pegar ou largar, aproveite". 

Tem coisa mais "anti-boa-imagem" do que sair anunciando um produto pela cabine e depois passar a maquininha cobrando o passageiro?

Abaixo, página do menu "Mercado LATAM"

Foto promocional de produtos do "Mercado LATAM". O sanduíche é mesmo bonitão assim? Ou é apenas uma bela foto feita com o objetivo de vender mais? Vender! Vender! Faturar! Faturar!

De graça? Só um copo de água....com gelo? Hmmm....não ousaria pedir....

Quer um refrigerante, um simples suquinho....uma cerveja? Está com fome, quer um sanduíche? Uma salada? Só pagando...e caro!

Quer comida? Quente? Esquece, nem pagando...a não ser que seja no aeroporto...kkkk

Para algumas empresas, isso é tudo que você, passageiro,
recebe de graça a bordo.

Dando uma rápida olhada no "cardápio" da LATAM, um Combo Sanduíche de rosbife + bebida sai por R$ 25,00! Um misto (frio), sai por R$ 12,00! Uma latinha de Coca-cola? R$ 7,00!

Como disse lá no início, sou saudosista....sou do tempo em que você voava dentro do Brasil (veja bem, não estou nem me referindo aos voos internacionais de longa distância) e era tratado com mais classe, seja no trato direto dos comissários com os passageiros, seja no que era servido a eles. 

Nada de pagar pelo que consome....você já tinha pago a passagem, não é verdade? Por que afinal teria de pagar também pela comida, pela bebida...pela mala despachada...pela reserva do assento....por respirar....rssss. Não! Era tudo "grátis"! 

Seu voo era, por exemplo, na hora do almoço? Tinha comida quente. Comida mesmo, não sanduíche....filé, arroz, legumes, salada, sobremesa....essas coisas que as empresas de hoje desconhecem. Para beber? Open bar...diversas opções, alcoólicas (cerveja, vinho, whisky...) e não alcoólicas (sucos, refrigerantes, café...).

O voo era curto? Sem tempo de oferecer um serviço completo? No problem...era lanche, mas sem a "pão-durice" atual....a VARIG, por exemplo, chegou até o oferecer fondue de chocolate no inverno, em seus voos da ponte-aérea!

Abaixo fotos de alguns exemplos de serviço de bordo da VARIG
para voos domésticos, com refeições completas em voos de média/longa duração
e lanches (e até fondue) em voos curtos.
Transbrasil, Vasp, Rio-Sul e Nordeste também tiveram serviços semelhantes, muito melhores aos atuais. E não se pagava a mais por isso!

Mas os tempos são outros....economia é a palavra da moda!

E veja bem, não sou contra empresas extremamente cuidadosas neste quesito financeiro, até porque a aviação é uma atividade com grande dificuldade para se ter rentabilidade...a própria VARIG que tanto defendo aqui pecou, talvez, por ter gasto demais com "luxos"...e acabou definhando financeiramente. 

Mas as empresas de hoje parecem claramente preferir o caminho puro e simples da economia (ou do ganho a qualquer custo), ao invés de investir em melhorias que possam lhe trazer mais passageiros, além de garantir a fidelidade daqueles que já utilizam seus serviços. E como a grande maioria delas está hoje nivelada por baixo, não seria necessário um investimento tão grande assim para se destacar. 

Faltaria então vontade de melhorar? Estariam as empresas acomodadas demais...ou, pior, estariam os passageiros "modernos" acomodados demais para exigir serviços mais decentes? Não sei....o que sei é que definitivamente os céus perderam muito do charme, e voar se tornou, cada vez mais, o simples transporte do ponto A ao ponto B, e mais nada...e ponto!

A poderosa empresa aérea européia de baixo custo Ryanair foi uma das pioneiras neste tipo de serviço...abaixo, trecho do seu catálogo BOB.

Catálogo do Buy-On-Board da empresa europeia de baixo custo Transavia