A Europa que nos surpreende

20/03/2018

Hoje não vou falar de atrativos turísticos da Europa, embora por tabela possam ser vistos desta forma também. Vou falar de outro aspecto que surpreende a nós, brasileiros, quando viajamos ao Velho Continente.

A Europa onde as coisas funcionam!

A seguir, alguns exemplos que presenciei, e gostaria de compartilhar com todos. Certamente existem milhares de outros, e cada viajante que já esteve por lá deve ter experiências semelhantes para contar.

Ok, então a Europa é perfeita? Claro que não. 

Nem a Suíça é...rsss...mas eles conseguem, assim como diversas nações em outros continentes (Austrália, Canadá, Estados Unidos e Japão são alguns exemplos), atingir altos níveis de excelência, e isso deve ser elogiado. Ainda mais por nós, que vivemos em um país onde pouca coisa (principalmente pública) funciona direito.

Experiência 01

Meu voo pousou em Zurique no horário. Desembarque organizado, aeroporto muito bonito e moderno. Para ir à área de retirada das bagagens, é necessário pegar um trenzinho, que leva você a outro terminal. O trajeto é curto, dentro de um túnel escuro. E o que os suíços fizeram? Deram um jeito de já começar a promover o país ali mesmo, dentro do trem, neste curto trajeto. O som de vaquinhas e sinos tocando já faz você se sentir na Suíça, logo de cara! Ponto para eles!

Daí você chega à esteira de bagagens e um painel mostra que as malas começarão a aparecer em 30 segundos, 20, 10, 5, 4, 3, 2, 1...e "voilà", lá estão elas. Tudo rápido, super organizado, eficiente. Para os suíços, nada mais normal que isso. Para nós, brasucas, um espanto.

Esse é o trem que te transporta de um terminal ao outro
no aeroporto de Zurique...

...e já te faz sentir, logo na chegada, que está na Suíça.
 Clique aqui e assista (aumente o volume).

A bagagem chegará em 4, 3, 2, 1...

Experiência 02

No mesmo aeroporto, depois de sair da área de desembarque, me dirigi à estação de trem (sim, a maioria dos aeroportos europeus possui ligação férrea com a cidade, e o país todo). Eu tinha um trem marcado para Interlaken, com partida às 13h15.

Olhei o pinel de partidas e lá estava ele, plataforma 1, saída confirmada para as 13h15. Me posicionei na plataforma a espera do trem. E lá vem ele...são 13h13...abre as portas e antes de embarcar, meu sexto sentido me diz que algo não está certo. Paro, não embarco. Pergunto ao funcionário que está à porta se é o trem para Interlaken. E ele, espantado com minha pergunta, diz: não, este é o trem das 13h13, o seu é às 13h15! Uau, vai ser preciso assim lá na...Suíça...rsss

Dito e feito, não era mesmo o trem que devia pegar. O meu chegou...às 13h15, claro. Se é às 13h15, é às 13h15, não às 13h13 ou às 13h14, seu tonto! Hehehe

Fique atento. Na Suíça, trem não atrasa...nem adianta...sai no horário previsto. Simples assim. Ou não? rssss

Experiência 03

Eu e minha família, no carro, estamos chegando ao lindo vilarejo de Schenna, no Tirol italiano. A pequena e charmosa cidade fica no topo de uma colina. Saímos da auto-estrada e pegamos uma estrada secundária...que depois vira uma rua menor, de duas mãos...o asfalto, claro, impecável.

Mas de repente, já bem próximo à cidade de destino, um bloqueio nos faz parar por alguns instantes. Apenas uma das pistas estava operante, a outra estava em obras de recapeamento. Aguardamos a liberação e começamos a subir a colina pela rua em reformas. A pista em que estávamos, toda ranhurada, pronta para ser recapeada. A pista no sentido contrária, totalmente raspada, com o asfalto sendo refeito por completo (e não como no Brasil, onde apenas uma camada de piche é jogada sobre os buracos e pronto, está feito).

Muitas máquinas e operários trabalhando. E subimos, subimos e subimos...cerca de 3 km seguidos de obras. E enfim chegamos ao hotel, final da tarde, comecinho da noite.

No dia seguinte, hora de passear.

Pegamos o carro logo cedo e descemos a colina pela mesma rua em obras do dia anterior. E...e...inacreditável...os 3 km de rua que ontem ao final do dia estavam parecendo filme de guerra, estavam lá....impecáveis! Asfalto novinho, nas duas pistas, nem sinal das máquinas, operários. Parece que tudo foi feito assim, num passe de mágica...impressionante! Eles retiraram o asfalto, nivelaram e recapearam 3km de ruas em poucas horas!!!

O recapeamento levado a sério...3km de ruas completamente refeitos,
de um dia para o outro...

...em Schenna, no Tirol italiano

Experiência 04

Você atravessa a Áustria, sul da Alemanha, entra na Suíça. Tudo auto-estrada de primeira qualidade, muito bem conservadas, asfalto lisinho. Em alguns pontos, sem limite de velocidade. A pista da esquerda sempre livre, usada apenas para ultrapassagens. Você passa o veículo que vai mais lento à sua frente, pela esquerda, e logo retorna à pista central ou da direita. Você roda km e mais km, e nada de pedágio? Pois é, nadinha ... você roda sem custos pelas melhores estradas do planeta.

Mas é assim em todos os países?

Não. Em alguns deles, como na Itália, há sim a cobrança de pedágio. Mas você nem reclama! Uma porque as estradas são igualmente ótimas. Outra porque eles adotam um sistema muito mais justo, e inteligente, de cobrança.

Funciona assim: quando você acessa a auto-estrada, você retira um ticket na estação de pedágio automatizada. Daí você roda a quilometragem que tiver de rodar e quando deixa a auto-estrada, para no pedágio e paga o valor correspondente à distância rodada. Paga mais quem anda mais, paga menos quem anda pouco. E o que é melhor: não se formam aquelas gigantescas filas tão comuns nos pedágios brasileiros.

As perfeitas auto-estradas europeias sempre surpreendem a nós, brasileiros.

E por falar em surpreendente, olha esta!

A pista da esquerda, sempre livre, usada apenas para ultrapassagens

Experiência 05

Essa eu já contei em outro post, mas cito novamente aqui. Nosso Henry, à época com cerca de 1 ano e meio de idade, sofreu um pequeno acidente descendo em um escorregador com a mãe. Em um restaurante que ficava nas montanhas, nos Alpes austríacos. Meu Deus, onde levá-lo? Estávamos no "meio do nada", onde encontraríamos um hospital?

Ah, mas estamos na Europa, lembra? Logo nos indicaram uma pequena cidade próxima, Schladming, se não me engano. Cidade pequena, será que teria mesmo hospital? Seria ele um bom hospital?

Sim! Sim! Sim!

Não só tinha hospital, como tinha um hospital grande, e muito bonito. Fomos atendidos (com certa demora, mas depois descobrimos o motivo, estavam dando prioridade a um acidentado mais grave, o que, claro, compreendemos) e graças a Deus não foi nada grave, apenas uma torção leve. Ele foi examinado por 3 médicos (sim, 3!), fizeram exame de raio-x e tudo....hora de pagar, me dirigi ao balcão. Perguntei o preço e a atendente, surpresa com meu questionamento, respondeu "nada, claro!". Nada? Nadinha? Na faixa? Uau, que demais!

Dias mais tarde, já de volta ao Brasil, recebemos uma correspondência do hospital. Ah, tá vendo só, é claro que iam cobrar, não faz sentido todo aquele atendimento e não pagarmos nada. Deve ser a fatura...e abri o envelope...e nada de cobrança! Era apenas uma carta do hospital desejando que nosso pequeno Henry estivesse bem. Dá para acreditar? Demais, não?

Henry brincava com a vaquinha momentos antes de seu
pequeno acidente no escorregador...

...e agora, no meio das montanhas, longe da cidade grande,
onde levaríamos o Henry?

...nos indicaram a pequena cidade de Schladming, na Áustria,
a mais próxima de onde estávamos...e olha que lindo hospital! 

Experiência 06

Estávamos na Suíça, a caminho de Lucerna para Engelberg. Durante o percurso, passamos pela pequena cidade de Stans, bem no horário do almoço, quando as crianças saem da escola.

E não pudemos deixar de observar. As crianças voltavam sozinhas para suas casas...algumas a pé, outras de bicicleta ou patinete. Mochilinha nas costas, rumavam tranquilas...e não me refiro a crianças grandes, vimos crianças bem pequenas regressando sozinhas também. 

Ah como deve ser bom viver assim, se medo de violência, sem receio do trânsito irresponsável. Crianças livres, vivendo sem traumas! E pais idem...ô inveja!

Experiência 07

Um dia inesquecível, passeio maravilhoso no Monte Titlis, em Engelberg, Suíça.

Subimos de teleférico e depois bondinho. Lá no alto, neve e uma linda vista. Sol, céu azul...aproveitamos muito, sem dúvidas uma das mais memoráveis experiências de montanha que já tivemos (aliás, fica a dica, vale muito a visita)!

Mas tão memorável quanto, foi o que aconteceu a seguir.

Um de nós perdeu o ticket do bondinho, para o retorno (e o ticket do Titlis não é nada barato). Já estávamos na porta, embarcando, quando nos demos conta. Explicamos o ocorrido ao funcionário que cuidava do embarque e perguntamos onde deveríamos comprar um ticket novo.

E eis que ele, prontamente, responde: "não, não é preciso. Se vocês estão dizendo que perderam, eu acredito. Podem embarcar, sem problemas", e liberou a catraca!

Depois de um passeio memorável no Titlis, Suíça...

...perdemos o ticket do bondinho, para o retorno.
Acreditaram em nossa palavra e liberaram a descida, sem cobrar nada.

Enfim, experiências como esta se repetem diariamente durante uma viagem à Europa. Pequenos detalhes, pequenos gestos, que fazem toda a diferença. 

Quem já não fez por exemplo, e de propósito, a experiência de pisar na faixa de pedestres quando um carro se aproximava. "Quero só ver se é verdade mesmo?" hehehe. E sim, é verdade, o carro para e te dá passagem!

Duvido, outro exemplo, que alguém já se atreveu a jogar lixo na rua, um mísero papel de chiclete que seja. As ruas são tão limpas e as pessoas tão educadas que até os mais "mal-intencionados" dos turistas ficam com receio de cometer tal ato....rs...mesmo que seja só para ver a cara de reprovação dos locais...rs

E as bicicletas? Lá, são um meio seguro de transporte, e muito, mas muito mesmo, utilizadas. Repare sempre no "estacionamento" de bicicletas junto à estação de trem, por exemplo. São milhares! As cidades e muitos outros locais possuem ótima infra-estrutura de ciclovias e os ciclistas são respeitados, como devem, pelos motoristas. Mas mais que isso, os ciclistas também respeitam as leis de trânsito, muito diferente do que acontece aqui no Brasil, por exemplo, onde apenas pedem direitos mas não exercem seus deveres. Lá você não vê ciclista andando na contramão, na calçada ou furando o farol vermelho, por exemplo. O respeito é mútuo!

E para terminar, mais essa: quem já não se espantou ao ver que os pets acompanham seus donos em todos os lugares, e se comportam super bem? Sim, cães são permitidos na maioria dos hotéis e restaurantes, assim como em parques e atrações turísticas. E assim como seus donos, são sempre super educados. Pô, até os cachorros de lá são mais educados que os nossos? Pior que é verdade...rsss...A Europa é, como dizem, um ótimo lugar para você viver e respirar civilidade.

Mar de bicicletas na estação de trem de Heidelberg, Alemanha

Respeito total aos pedestres